Viewing Single Post
Toni Ancelmo

Para uns é vista como uma escolha de vida, para outros como uma imposição. A religião está há muito tempo nas bocas do mundo e gera opiniões distintas em todos os espaços onde é discutida. Será que existe liberdade religiosa e liberdade dentro da religião? Será a religião sinónimo de prisão ou de liberdade?

Abade do Mosteiro de Singeverga e professor na Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa, Bernardino Costa sentiu desde pequeno “a vontade de servir a Deus e aos outros”.

Com o apoio da família, Bernardino decidiu que a melhor maneira de concretizar a sua vocação seria “ao serviço da Igreja, como sacerdote diocesano”.

Entrou para o Seminário Maior do Porto e passado oito anos percebeu que o seu papel era junto da comunidade: “Percebi que Deus me chamava a uma vida ainda mais radical e, seduzido pelo silêncio e pela vida comunitária, entrei no Mosteiro de Singeverga.”.

Para Bernardino, a religião e a liberdade não são incompatíveis: “A religião não é contrária à liberdade, mas ensina-nos o verdadeiro sentido da mesma. Sempre me senti livre e nada me foi imposto”. Realça que é necessário ter uma noção clara dos dois conceitos: “Se partimos de uma falsa ideia de liberdade, nunca poderemos compreender o que é a religião. É preciso, portanto, uma ideia clara sobre a “religião” e uma ideia ainda mais clara sobre o que efectivamente significa “ser livre”. Se os conceitos estiverem claros, veremos que a liberdade não se opõe a religião. Quando falo de religião, refiro-me essencialmente ao cristianismo.”.

Aos olhos do abade o cristianismo não deve ser encarado como uma prisão: “Jesus Cristo era livre, como pessoa humana que era, mas essa liberdade conduziu-o ao mais alto valor da vida humana: dar a vida pelos outros. Seguindo o seu modelo, não podemos afirmar que a religião seja uma prisão. Se o cristianismo fosse uma prisão, já teria acabado e não tinha durado tanto tempo.”.

Isabel Teixeira e Mariana Fernandes estudam Ciências da Comunicação na Universidade do Porto, têm 19 anos e visões diferentes acerca da liberdade na religião.

Isabel é acólita na freguesia de Gatão, Amarante, e vê a religião como sinónimo de liberdade: “cada um é livre de escolher aquilo que quer, se [a religião] fosse uma prisão não diríamos a alguém que somos católicos.”

Por outro lado, Mariana acredita que “a religião é uma prisão que nos impediu de pensar mais longe e sonhar mais alto. A religião é contentamento e preguiça.”.

Homens e Mulheres: será que a liberdade religiosa difere entre os géneros?

Bernardino Costa diz não haver diferenças entre a liberdade do homem e a liberdade da mulher na Igreja, mas sim nas funções que cada um desempenha: “Há diferenças quanto aos ministérios, isto é, aos serviços que cada um desempenha dentro da estrutura da própria Igreja, mas em momento algum se despreza uma mulher pelo simples facto de ela ser mulher”.

No entanto, Mariana Fernandes tem uma opinião contrária e salienta que a religião é a origem dos principais preconceitos associados às questões de género “Os papéis associados a cada sexo que têm vindo a vigorar de há muito tempo para cá e têm as suas raízes na religião (…) A verdade é que determinados comportamentos levados a cabo pelos homens são vistos como pecados ou sacrilégios se evidenciados por uma mulher, por exemplo, a questão da pureza associada à virgindade.”.

Isabel Teixeira considera que as mulheres e os homens deviam ter os mesmos direitos dentro da Igreja podendo desempenhar os mesmos papéis “Talvez se se abrisse uma oportunidade, certamente, existiriam muitas mulheres com vontade de seguir esse caminho.”.

Topics: religião, prisão
Like (2)
Loading...
3